sábado, 27 de junho de 2026

Trevo-de-Folha-Roxa - resistência e ocupação

Imagem: sábado 27/06/2026 


Hoje fui na área onde será implantado o condomínio Sonho Real, projeto organizado pelo MOHAS que abrigará 144 famílias em Ribeirão Preto, pelo Programa Minha Casa Minha Vida Entidades. Lá, tirei uma foto que me trouxe profundas reflexões.

Em primeiro plano, um pouco desfocada, há uma pequena flor: o Trevo-de-Folha-Roxa. Ela nasce rasteira, surge do nada como uma presença espontânea, brotando com suas cores em meio às pedras e a um solo ácido e de baixa fertilidade. Essa planta nasce justamente para puxar os minerais e corrigir a terra. É a pura tradução de resistência e ocupação.

No meio da foto, destaca-se uma varanda, um local feito para descanso, abrigo, sombra e proteção. No entanto, ela está vazia, circundando uma grande casa que, por razões que desconheço, permanece abandonada.

Ao fundo, à esquerda, ergue-se um grande prédio residencial construído com verba do governo federal por meio de uma construtora, via Caixa Econômica Federal e Ministério das Cidades. São 204 apartamentos de 45 metros quadrados, todos financiados e, pelo que pesquisei na internet, totalmente vendidos. Eles serão os vossos vizinhos, o que é uma boa notícia.

Por trás dessa foto estou eu, que acompanha este grupo de moradia desde 2013 (e que já participava de movimentos habitacionais nos anos 90). O nosso projeto foi concebido em 2023 e aprovado e selecionado em 2024. Hoje, no final de junho de 2026, ainda estamos travados pela burocracia governamental.

O contraste é impressionante: o prédio vizinho, iniciado em 2023, já projeta sua sombra sobre o nosso terreno. Enquanto isso, o governo ainda não conseguiu desenrolar o processo de contratação da nossa obra, mesmo com tudo rigorosamente aprovado.

Ao pensar nessas 144 famílias, me pergunto se elas conseguirão ser tão resistentes quanto o Trevo-de-Folha-Roxa. São pessoas que pagam aluguel, vivem em comunidades ou dependem de casas cedidas, todas unidas pela necessidade urgente de uma moradia digna. Isso não é um favor e este relato não é uma poesia; é a realidade nua e crua de um trabalho que a Entidade Organizadora conduz diariamente com responsabilidade, competência e dedicação.

Me lembro de ouvir o presidente Lula, em seu discurso na última seleção dos projetos MCMV-E e Rural, dizer em alto e bom som aos responsáveis: “é necessário dar prioridade às demandas dos projetos sociais” e “as instituições públicas precisam destravar os projetos”.

Na prática, porém, vemos que o “sistema é foda” e que as dificuldades são seletivas. Como pode um processo de construção demorar tanto para um projeto que já está pronto?

É inadmissível que esse tipo de entrave continue a sufocar o povo em um governo que se pretende popular, democrático e verdadeiramente voltado às causas sociais.

Paulo Honório - 27/06/2026 
Imagem: sábado, 24/05/2025

Imagem: Sábado 24/05/2025


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