sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Projeto Tarsila do Amaral/MOHAS em São Carlos está apto a Fase II - Obra


O empreendimento Residencial Tarsila do Amaral, realizado pela Entidade Organizadora MOHAS localizado em São Carlos, foi considerado tecnicamente viável segundo os critérios normativos de análise da Caixa Econômica Federal.

Com essa aprovação, o projeto avança da Fase I para a Fase II (Produção de Unidades Novas), mesmo estágio em que se encontra o projeto Sonho Real.

Ficha Técnica do Empreendimento:
  • Responsável Técnica: Kadima Engenharia
  • Sistema Construtivo: Alvenaria Estrutural
  • Capacidade: 240 apartamentos distribuídos em 15 blocos (4 unidades por pavimento)
Área Comum e de Lazer:
  • 1 Centro comunitário
  • 1 Sala para biblioteca
  • 1 Sala do síndico / Administração
  • 1 Parque infantil (playground)
  • 1 Quadra poliesportiva
  • 1 Bicicletário
  • 1 Portaria / Guarita
  • 1 Depósito para lixo
O projeto é do Programa Minha Casa Minha Vida - Entidades do Governo Lula.
Parabéns para O MOHAS e para toda equipe coordenadora de São Carlos. Há muito trabalho pela frente, mas vamos vencer. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Encontro da CAO e CRE – Condomínio Residencial Sonho Real/MOHAS

 


A iniciativa do encontro trata de um registro oficial e da preparação para o início dos trabalhos no canteiro de obras do Condomínio Sonho Real/MOHAS. A presença das comissões e de seus suplentes é necessária e já foi confirmada. É possível acolher mais 12 associados; as vagas serão preenchidas pelos primeiros que solicitarem a participação pelo WhatsApp do projeto: (16) 99322-1810.

  • Data e horário: Sábado, 17/10/2026, às 15h (em ponto)

  • Local: Área do projeto Hilda Name/MLNR

  • Endereço: Rua José de Alcântara, nº 1115 (no final da rua)

O projeto Hilda Fontoura Name é organizado pelo Movimento Livre e está com 80% das obras concluídas e coordenado pela engenharia Kadima. Aguarda a concretização da parceria com a prefeitura para efetuar as obras externas, como a abertura da rua e o calçamento. 

1) COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO DE OBRAS - CAO:

I - responsabilizar-se, conjuntamente com a ENTIDADE ORGANIZADORA, pela execução do empreendimento e/ou pelo acompanhamento da elaboração, apresentação e aprovação dos projetos, junto aos órgãos competentes;

II - acompanhar as obras e a aplicação dos recursos geridos pela CRE;

III - realizar a interlocução com a empresa construtora, no caso de modalidade que inclui a construção de UH, e/ou com as empresas fornecedoras do material de construção;

IV - realizar a interlocução com o engenheiro responsável pelas obras ou, no caso de aquisição de terreno ou imóvel usado, com a assessoria técnica responsável pela elaboração dos projetos; e,

V - prestar contas aos futuros beneficiários participantes do empreendimento sobre o desenvolvimento dos projetos ou, no caso de construção, sobre o andamento das obras, segurança e guarda das obras e do material adquirido.


2) COMISSÃO DE REPRESENTANTES - CRE:

I - abrir conta poupança, não solidária, na agência da CAIXA concessora dos financiamentos;

II - gerir os recursos financeiros liberados para produção das unidades residenciais;

III - prestar contas aos futuros beneficiários participantes do empreendimento sobre a aplicação dos recursos liberados pela CAIXA; e,

IV - efetuar acompanhamento financeiro do contrato.


O encontro contará com a coordenação das equipes técnicas da engenharia e social do MOHAS. 


  • COMPOSIÇÃO ELEITA EM ASSEMBLEIA:

Comissão de Representantes - CRE

Demanda: Keila Pillegi Alves Cruz

Demanda: Luciana Aparecida de Oliveira

MOHAS: Vani Poletti

Comissão de Acompanhamento de Obras - CAO

Demanda: Karina Aparecida de Souza Matos dos Santos

Demanda: Josiane dos Santos Brito Segundo

MOHAS: Maria das Graças da Silva Rocha


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

ATA DA ASSEMBLEIA 27/09/2026 – MOHAS (PROJETO SONHO REAL)



Aos vigésimo sétimo dia de setembro do ano de dois mil e vinte e seis, às 10h00min, no salão situado na Rua Camilo de Mattos, nº 584, Bairro Jardim Mosteiro, CEP 14085-340, Ribeirão Preto/SP (em frente à entrada principal da Cava do Bosque), reuniram-se em Assembleia Geral os associados e famílias integrantes do Projeto Sonho Real, a diretoria do MOHAS e a Assessoria Técnica de Engenharia e Social, organizada pelo MOVIMENTO HABITACIONAL E AÇÃO SOCIAL (MOHAS), a fim de deliberar sobre a seguinte Ordem do Dia, constante do Edital de Convocação:

  1. Informações gerais;

  2. Apresentação dos suplentes;

  3. Deliberação sobre contribuição associativa;

  4. Deliberação sobre parcelamento da conta de água com o SAERP (vazamento de água);

  5. Apresentação Técnica da Equipe de Engenharia Kadima;

  6. Kit Obra;

  7. Eleição e as consequências para os programas sociais e habitação;

  8. Outros assuntos de interesse do projeto.

No primeiro item da pauta (Informações gerais), o Técnico Social Paulo Honório fez uso da palavra para destacar a importância da união comunitária e do esforço coletivo para a concretização do projeto Sonho Real, relembrando a atuação conjunta iniciada em 2023, reforçou-se o apelo pelo engajamento, otimismo e dedicação de todos os participantes no enfrentamento desta nova etapa. 

Foi salientado que a lista de pontuação que estava fixada na parede para conferência de todos (as).  Apresentou o Contrato de Novação para Fase II (obra) do financiamento do Programa Minha Casa Minha Vida - Entidades via FDS, assinado pelas direção do MOHAS e pela gerência da Caixa Econômica Federal que se encontra no cartório de registro de imóveis. 

Em seguida foi realizada a leitura da ata da assembleia do dia 16/08/2026 que fora  registrada em cartório.

No segundo item da pauta (Apresentação dos suplentes),  a Mobilizadora social Keila Pileggi, fez a apresentação dos associados que em reunião específica de apresentação do projeto foram incluídos como suplentes: Talita Aparecida Santos, Claudemir Albertino da Silva, MAriana ROberta Calisto, Samilly Laiane dos Santos, Carolina Vieira Gomide, Vera Lucia Rosa Brito, Ana Lucia Alves Cruz, Ana Beatriz Gomes da Silva e Rodrigo Lima,

No terceiro ponto de pauta (Deliberação sobre contribuição associativa), a coordenadora Cláudia Gomes, falou sobre a necessidade de reajustar a contribuição associativa que se mantém em 30,00 reais desde 2023 e que faz-se necessário uma atualização do valor para 50,00 reais a partir do próximo mês/outubro, momento em que se inicia a obra. Em seguida apresentou como exemplo de despesas que contam no quarto item da pauta ( parcelamento da conta de água com a SAERP (vazamento de água), disse que houve um vazamento de água no terreno. O vazamento ocorreu no mês de maio e junho de 2026 - leitura 25/05/2026 resultou numa conta de 39.218,11 e leitura 26/06/2026 resultou numa conta de 12.600,00. O vazamento foi detectado e reparado em 18 de junho. Após o reparo, foi protocolado um processo administrativo na SAERP sob o número RA:2346122 - Revisão por vazamento reparado, o que após análise técnica resultou no valor total de R$ 22.702,26 referente às duas contas. Este valor total R$ 22.702,26 será parcelado em 18 meses atualizadas pelo IPCA, o que dará uma despesa mensal de 1.261,23 equivalente à 8,75 reais por família (atualizadas pelo IPCA) 

No quinto item da pauta (Apresentação Técnica da Equipe de Engenharia Kadima), o Engenheiro Lourenço Costa apresentou as maquetes do empreendimento: uma do conjunto das 9 torres com 16 apartamentos cada uma e outra maquete com a modelagem de um apartamento. Todos tiveram a oportunidade de apreciar, filmar, fotografar e fazer planos para o futuro. Lourenço destacou a importância da Comissão de Acompanhamento de Obra CAO, que deverá acompanhar todo o processo em nome das famílias do grupo com fiscalização, sugestões, e críticas.  Ato contínuo, o Engenheiro Lourenço passou a tratar do sexto item da pauta (Kit Obra). O Responsável Técnico pela engenharia, explicou que o início de obra será de movimentação de terra, montagem do canteiro de obra e que a participação efetiva dos moradores deve acontecer no início de 2027, porém é muito importante começar a discussão sobre o regulamento de participação de obra sobretudo em relação aos Equipamento de proteção Individual EPIs. Neste sentido, a Kadima Engenharia, preparou um Kit com capacete, luvas, camiseta e garrafa de água. Foi realizada a chamada de cada família como ato prático e simbólico de pertencimento do projeto e participação ativa nas atividades. 

No sétimo item da pauta (Eleição e as consequências para os programas sociais e habitação), o responsável técnico social Paulo Honório realizou uma análise entre os dois projetos que estão em jogo nestas eleições. 

Durante o governo Bolsonaro, os programas de Habitação de Interesse Social foram descontinuados e substituídos pelo Casa Verde e Amarela, modelo focado em financiamentos bancários convencionais. Além disso, a proposta de governo apresentada por Eduardo Bolsonaro sinaliza a continuidade dessa mesma linha para os próximos anos.

Em contrapartida, o presidente Lula retomou o Minha Casa, Minha Vida já em 2023, restabelecendo investimentos voltados às famílias de baixa renda por meio de fundos como o FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) e o FDS (Fundo de Desenvolvimento Social). Essas linhas atendem famílias com renda de R$ 0,00 a R$ 3.200,00, cadastradas junto às prefeituras, cooperativas ou entidades organizadoras habilitadas.

No final do encontro contamos com a presença do presidente do Partido dos Trabalhadores Edson Fedelino, a presidenta o MOHAS Vani Poletti, o deputado estadual Marcolino que mantém um núcleo dedicado à habitação e trata o tema como prioridade absoluta.

O parlamentar ressaltou ainda que a parceria com o deputado federal Paulo Teixeira fortalecerá a articulação dos movimentos populares e viabilizará a expansão de novos projetos habitacionais. 

O debate eleitoral e a política são partes fundamentais em todas as esferas da sociedade. São as decisões políticas e as instituições governamentais que definem os rumos do país e afetam a vida da população a longo prazo. 

Nada mais havendo a tratar, foram encerrados os trabalhos, lavrando-se a presente ata que, lida e achada conforme, segue assinada pela Presidente Vani Poletti e acompanhada da lista de presença dos participantes.

Ribeirão Preto/SP, 27 de setembro de 2026.



Vani Poletti
Presidente do MOHAS


LISTA DE PRESENÇA






segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Informativo MOHAS: Registro em cartório, maquetes e encaminhamentos da assembleia de setembro


Fotos: Carlos Natal

 

Neste domingo, dia 27 de setembro de 2026, realizamos uma assembleia muito importante e especial do Projeto Condomínio Residencial Sonho Real – MOHAS, em Ribeirão Preto.

Fizemos a leitura da ata da assembleia anterior e tratamos do contrato entre a Caixa Econômica Federal e o MOHAS, que está em processo de registro em cartório. Apresentamos os suplentes e discutimos a necessidade de reajuste da contribuição associativa, além dos custos decorrentes do vazamento de água no terreno. Foram apresentadas as maquetes do empreendimento: uma do conjunto de edifícios e outra da unidade habitacional. Também realizamos a distribuição dos kits de obra com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Em seguida, promovemos uma reflexão sobre as eleições de 2026, traçando um comparativo entre o histórico do governo Bolsonaro e do governo Lula, além de analisar as propostas de cada candidato com base em seus respectivos planos de governo.

O encontro teve início às 10h e encerrou-se às 12h, conforme o previsto. Apesar do domingo bastante quente, ao final fomos até a área para realizar uma visita com os convidados, familiares e apoiadores.

Esperamos que, na próxima assembleia, já estejamos com as obras iniciadas.

Na ata do encontro, os temas serão mais detalhados. Veja as imagens feitas pelo Carlos Natal, fotógrafo e colaborador do projeto.

Veja as fotos AQUI



















Eleição de 2026: dois projetos para a habitação no Brasil até 2030

Fotos Carlos Natal
O debate eleitoral e a política são partes fundamentais em todas as esferas da sociedade. São as decisões políticas e as instituições governamentais que definem os rumos do país e afetam a vida da população a longo prazo.

A questão da habitação foi o tema central da nossa conversa com o deputado estadual Marcolino (13310), que neste ano faz campanha ao lado do deputado federal Paulo Teixeira (1398), das candidatas ao Senado Marina Silva (180) e Simone Tebet (400), do candidato a governador Fernando Haddad e do presidente Lula (13).

O encontro reuniu 150 famílias do movimento de moradia de Ribeirão Preto e foi organizado pelo Movimento Habitacional e Ação Social, entidade que articula projetos por meio da modalidade Minha Casa, Minha Vida Entidades.

Contou com a presença do presidente do Partido dos Trabalhadores Edson Fedelino, a presidenta o MOHAS Vani Poletti, covereador Paulo Honorío do Coletivo Popular Judeti Zilli (PT), a coordenação do projeto condomínio Reasidencia Sonho Real.

De início, destacou-se o contraste entre os dois projetos em disputa. Durante o governo Bolsonaro, os programas de Habitação de Interesse Social foram descontinuados e substituídos pelo Casa Verde e Amarela, modelo focado em financiamentos bancários convencionais. Além disso, a proposta de governo apresentada por Eduardo Bolsonaro sinaliza a continuidade dessa mesma linha para os próximos anos.

Em contrapartida, o presidente Lula retomou o Minha Casa, Minha Vida já em 2023, restabelecendo investimentos voltados às famílias de baixa renda por meio de fundos como o FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) e o FDS (Fundo de Desenvolvimento Social). Essas linhas atendem famílias com renda de zero a R$ 3.200,00, cadastradas junto às prefeituras, cooperativas ou entidades organizadoras habilitadas.

Marcolino enfatizou que seu mandato na Assembleia Legislativa conta com um núcleo dedicado à habitação e trata o tema como prioridade absoluta. O parlamentar ressaltou ainda que a parceria com o deputado federal Paulo Teixeira fortalecerá a articulação dos movimentos populares e viabilizará a expansão de novos projetos habitacionais.

Veja AQUI as fotos do encontro


















sexta-feira, 25 de setembro de 2026

É a hora em que começamos a imaginar a “mão-na-massa”

 


A caminhada é parte essencial para se chegar ao destino. Felizes daqueles que conseguem celebrar e curtir o caminho até a chegada. A conclusão do nosso projeto Sonho Real só terá sentido completo se cada um (uma) de nós souber aproveitar o caminho.

Viver em condomínio não é fácil. Esta é uma realidade que já começamos a enfrentar; só terá sucesso na medida em que entendermos que coletivamente somos mais fortes.

Nesta próxima assembleia, domingo dia 27/09/2026, será entregue o Kit Obra, que foi preparado pela equipe da Kadima Engenharia com o maior carinho, um momento de muita expressão simbólica do nosso movimento.

É a hora em que começamos a imaginar a “mão-na-massa”, o tijolo, a parede, as portas e as janelas. Aí já se inicia o pensamento de onde ficará cada coisa da casa. Como é que vou levar isso ou aquilo? Acho que vou comprar uma cama nova, um armário, um colchão para as crianças… e assim as ideias vão fluindo e, o melhor, cresce a energia e a vontade de continuar esta vida dura, difícil, mas que, com o apartamento, pode ajudar a aliviar muitos problemas e permitir recomeçar.

A vida vale a pena se tiver um sentido, uma esperança. Desde 2023, nós da coordenação acreditamos no projeto e estivemos ao lado de vocês para resolver e organizar todas as demandas do programa.

Agora, com o início da obra, precisamos muito mais de energia positiva, da força viva de cada um e cada uma de vocês.

A música do Gonzaguinha diz assim: “Eu acredito é na rapaziada Que segue em frente e segura o rojão. Eu ponho fé é na fé da moçada.Que não foge da fera e enfrenta o leão”

Bora fazer o que deve ser feito.


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Moradia: o que aconteceu e o que está em jogo em 2026

Quero dividir esta reflexão em duas partes: primeiro, alguns dados sobre a política habitacional brasileira nos últimos anos; depois, as principais diferenças entre as propostas de governo de Lula e Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026.

É importante separar duas formas de atendimento habitacional: o financiamento com recursos do FGTS e a habitação subsidiada com recursos públicos, destinada principalmente às famílias de baixa renda.

No financiamento habitacional, o “Casa Verde e Amarela” do governo Bolsonaro registrou contratações com recursos do FGTS, entre 2020 e 2022, de aproximadamente 1,11 milhão de unidades financiadas.

No governo Lula, entre 2023 e 2025, o Minha Casa, Minha Vida alcançou cerca de 1,71 milhão de unidades financiadas pelo FGTS.

Isso representa aproximadamente 600 mil unidades financiadas a mais no período de 2023 a 2025 do governo Lula. É importante, porém, lembrar que estamos falando de financiamentos habitacionais, normalmente pagos pelas famílias ao longo de décadas, 30, 35 anos, com entradas de 30 a 50 mil e avaliação de renda e poder de crédito bancário.

Para avaliar a produção de moradias destinadas às famílias de menor renda, é necessário olhar também para as modalidades subsidiadas do Minha Casa, Minha Vida, especialmente:

  • Fundo de Arrendamento Residencial (FAR);

  • Fundo de Desenvolvimento Social (FDS), incluindo o MCMV-Entidades;

  • Minha Casa, Minha Vida Rural;

  • recursos do Orçamento Geral da União (OGU).

O próprio Ministério das Cidades diferencia as unidades financiadas com recursos do FGTS das unidades subsidiadas com recursos do OGU.

A retomada do Minha Casa, Minha Vida em 2023 recolocou a habitação subsidiada para famílias de baixa renda no centro da política federal. O programa voltou a contar com recursos da União para a produção de unidades da Faixa 1 (famílias com renda zero até 3.200,00 reais) e também retomou obras que estavam paralisadas.

Esse ponto é fundamental para movimentos e entidades que atuam na produção social da moradia, porque o acesso à habitação para famílias de menor renda não depende apenas da capacidade de assumir um financiamento bancário.

Entre 2019 e 2022, o governo Bolsonaro zerou novas contratações habitacionais com subsídio integral, destinando apenas R$ 200 milhões para manter obras antigas.

Em contraste, entre 2023 e 2025, o governo Lula investiu R$ 35,7 bilhões no Ministério das Cidades (um aumento de quase 180 vezes).

  • Retomada da Faixa 1: Cobertura de até 100% do valor do imóvel para famílias do CadÚnico e Bolsa Família (FAR, Habitação Rural e Entidades).

  • Destravamento de obras: Reativação de cerca de 130 mil unidades habitacionais paralisadas ou abandonadas.

A partir de 2023, mais de 185 mil moradias — cerca de 38% do total — foram destinadas a famílias com renda de até R$ 3.200,00 por meio das modalidades MCMV-Entidades e Rural, voltadas a núcleos familiares organizados em associações e cooperativas.

No ciclo de 2023/2024, uma nova seleção nacional aprovou 37.535 unidades habitacionais, distribuídas em 443 propostas de 206 entidades organizadoras. Entre os projetos contemplados estão os residenciais Sonho Real e Tarsila do Amaral, coordenados pelo Movimento Habitacional e Ação Social (MOHAS). Para 2025, foram 21.282 moradias. O ciclo de 2026 estabelecido pelo Ministério das Cidades é de 35 mil unidades habitacionais urbanas, o MOHAS tem mais 5 projetos para seleção deste ano.   

As propostas para 2026 de Lula e Bolsonaro

Os programas apresentados por Lula e Flávio Bolsonaro apresentam concepções diferentes sobre os instrumentos que devem ser utilizados na política habitacional.

Lula

O programa de Lula propõe manter e ampliar o Minha Casa, Minha Vida, para todas as faixas de renda, preservando o foco nas famílias de menor renda.

A proposta inclui:

  • produção de novas moradias;

  • continuidade e ampliação do Minha Casa, Minha Vida;

  • urbanização e melhoria das áreas periféricas;

  • regularização fundiária;

  • reforma de moradias existentes;

  • Compra Assistida de imóveis prontos em situações específicas;

  • utilização de imóveis e terrenos da União;

  • melhoria do padrão construtivo e da localização dos empreendimentos;

  • participação dos movimentos sociais no programa;

  • ampliação do Reforma Casa Brasil.

O plano também afirma que pretende apoiar a participação dos movimentos sociais no Minha Casa, Minha Vida.

Isso tem relação direta com modalidades como o MCMV-Entidades, nas quais organizações sociais participam da organização e da produção habitacional.

Flávio Bolsonaro

O programa de Flávio Bolsonaro propõe a retomada do Casa Verde e Amarela, com a meta de financiar residências e oferecer financiamento com juros reduzidos.

A proposta também inclui:

  • financiamento habitacional;

  • regularização fundiária;

  • escritura preferencialmente em nome da mulher;

  • urbanização de áreas degradadas;

  • ações relacionadas a territórios dominados por facções;

  • parcerias público-privadas para urbanização e infraestrutura;

O plano apresenta a habitação dentro de uma estratégia de formação de patrimônio e acesso à casa própria, utilizando também a Caixa Econômica Federal como instrumento de crédito. A casa como mercadoria. 

O ponto central para quem luta por moradia

A principal diferença não está apenas no nome dos programas.
Ela está nos instrumentos utilizados para enfrentar o déficit habitacional.

De um lado, o programa de Lula propõe combinar financiamento, subsídios, produção habitacional, urbanização, reforma, utilização de imóveis públicos e participação social.

De outro, o programa de Flávio Bolsonaro propõe retomar o Casa Verde e Amarela, com ênfase no financiamento habitacional, na aquisição da casa própria, na regularização fundiária e na formação de patrimônio.

Essa diferença é especialmente importante para as famílias de menor renda, porque o financiamento bancário, mesmo com juros reduzidos, não atende da mesma maneira uma família que não possui capacidade de assumir uma dívida de longo prazo.

É nesse espaço que modalidades subsidiadas e de produção social da moradia, como o MCMV-Entidades, ganham importância. O atual MCMV-Entidades é voltado à produção social da moradia e à participação das organizações da sociedade na solução dos problemas habitacionais.

Para projetos como o Sonho Real, organizado pelo MOHAS, essa questão é particularmente relevante: trata-se de compreender se a política habitacional continuará oferecendo instrumentos que permitam às famílias de menor renda participar da produção de sua própria moradia por meio de entidades organizadoras e processos coletivos de autogestão habitacional.

Moradia é mais do que uma casa

Ter um lugar para morar significa também ter segurança, dignidade, acesso à cidade, infraestrutura e condições para construir um projeto de vida.

O déficit habitacional brasileiro não se resume à falta de uma casa. Também envolve moradias inadequadas, precariedade urbana, falta de infraestrutura e dificuldade de acesso à terra urbanizada.

Por isso, discutir política habitacional é discutir também qual é o papel do Estado, qual é o papel do financiamento, quanto de subsídio público deve existir e qual espaço deve ser dado à participação das famílias e dos movimentos sociais.

É nesse debate que devemos olhar para os números, conhecer os programas e compreender as diferenças entre as propostas apresentadas para 2027–2030.

Como lembra Carlos Drummond de Andrade, em Favelas, permanece a pergunta diante do crescimento das periferias e da desigualdade habitacional:

“Que fazer com tanta gente brotando do chão, formigas de um formigueiro infinito?”

A resposta a essa pergunta faz parte do entendimento que a política não é a mesma coisa, não são todos iguais. E neste momento não podemos vacilar ou nos omitir. Lula é a única opção para que os projetos sociais continuem avançando.  

Paulo Honório